segunda-feira, 30 de maio de 2011
#7404km
sábado, 9 de abril de 2011
"Premonitorus operanti"
Tragédias como essa de Realengo sempre despertam em mim um medo corrente, que chamo de tragédia eminente. Nós trabalhamos, estudamos, vamos ao cinema, estamos no trânsito, sempre com estranhos e pessoas de todo tipo, o tempo todo, e isso nos expõe um perigo de tragédia eminente e a roleta russa da vida. Esse sentimento me acompanha o tempo todo, e se for ver isso é quase uma fobia social.
Depois que o teto do Shopping desabou quase que na minha cabeça aqui em Limeira parece que esse sentimento foi aguçado, fiquei mais neurótico. Você fica pensando coisas como "naquela manhã acordei tal hora, fiz tal coisa" ou "na noite anterior sonhei com tal coisa", fica procurando sinais de premonição, neuras desse tipo.
Consequentemente você passa a analisar as situações do dia-a-dia como se o tempo todo estivessem antecedendo algo de ruim. Começa a se ligar nos detalhes ao seu redor e fica se esforçando para prever o que está por vir de modo a tentar se safar. Isso é terrível, e enlouquece se não tratado da forma correta. Eu, por exemplo, me pego direto tentando relaxar.
Uma mãe de uma das vítimas disse que a filha pediu para dormir com ela na noite anterior, e certamente muitas histórias parecidas ainda vão surgir. É exatamente disso que estou falando, as pessoas "voltam a fita" e ficam procurando pistas e soluções, e quando encontram algo passam a ficar mais cautelosas com os "sinais" dali por diante. É nessa que a gente surta.
No meu caso, que a título de tragédia não chega nem aos pés de Realengo, eu "voltei a fita" centenas de vezes procurando algo que tivesse tentando me alertar a não ir ao Shopping naquele dia. Encontrei vários supostos sinais de premonição, e me culpei por não percebê-los.
Um exemplo prático dessa mudança em mim está relacionado a parques de diversões. Eu sempre fui medroso, mas mesmo assim encarava todos os brinquedos. Hoje quando chego de frente a um deles, fico imaginando uma cena pós-tragédia em que eu, ou morto ou arrebentado, lembro daquele momento parado ali, e sentido o quão queria não ter embarcado nele. Coisa de louco né?
Realengo não marcará apenas as vítimas e as pessoas ao seu redor, marcará também todos os que enxergam a vida de uma ótica mais precisa, mais detalhada e mais crítica.
sexta-feira, 6 de novembro de 2009
Michael Jackson's THIS IS IT - Fan Photo Mosaic
terça-feira, 3 de novembro de 2009
Sra Verdade!
Então a Verdade voltou mas não trouxe novidades Apenas o velho discurso de conquistas e frustrações Resgatado de um passado de pouca sabedoria Onde não se distinguem os heróis e os vilões Seja bem vinda Sra Verdade! Diga-me por onde andastes esses anos todos Escondida atrás de momentos, ou sorrisos Oculta em fotografias ou cartões de natal Não seja tímida, sente-se conosco Aproveite a noite, é toda nossa , especialmente nossa! Já que veio penso que deveria permanecer Podemos ser íntimos daqui pra frente, inclusive Começaremos por onde minha querida? Vamos desenterrar tudo, não se contenha Sra Verdade! Não me esconda mais nada! Eu posso suportar, sempre pude, sempre suportei Sejamos sinceros doce senhora Nunca fui realmente poupado de sua lamúria Em todas as suas visitas eu a recepcionei Atenciosamente a ouvi, e só então senti e chorei Não tiveste piedade de mim na infância Não se importou em ser descortês na adolescência Então me mostre suas garras de vez,
Agora encaro de frente conhecendo-te melhor.
quinta-feira, 8 de outubro de 2009
terça-feira, 25 de agosto de 2009
4-Rent!
Hoje estou com vontade de escrever. Sobre qualquer coisa, não importa, apenas escrever.
Pensei em falar do show de sábado, de como foi satisfatório conseguir cantar de boa, sem ficar intimidado, constrangido e inseguro. Eu achava que rostos conhecidos na platéia me bloqueariam, mas pelo contrário. É, não conheço nada sobre mim mesmo. Pelo menos dessa vez venci minha eterna insatisfação por tudo que faço e consegui curtir a noite, pudera, passei a semana entoando o mantra da desencanação e me preparando psicologicamente para isso.
E não, não estou sendo exagerado. Se você me conhece sabe disso.
Preciso urgentemente dar o devido crédito aos caras da minha banda. Fica fácil encarar o público e cantar quando se tem esses caras atrás de você dando seu melhor. Impressionante como juntos esses caras formam uma banda foda!
Talvez seja difícil escrever sobre eles imparcialmente, mas também não tenho tal pretensão, não sou dono da verdade, tudo que escrevo é baseado única e exclusivamente em sentimentos próprios, então isso. Enfim:
MATT e seu perfeccionismo, sua busca implacável pelo tempo e tom corretos, enquanto devora nota por nota em seus solos ele enxerga e ouve tudo, sabe tudo o que está acontecendo ao redor, não deixa passar nada. Eu diria, com toda segurança, que o cara é o maestro da banda. Sem ele ali no meio “regendo” a todos certamente a coisa não funcionaria. A título de personalidade e gosto musical, somo quase gêmeos, o que nem sempre, necessariamente, é uma vantagem. Acho que tenho dificuldades em lidar com pessoas que se parecem demais comigo, talvez por isso meu relacionamento com esse cara fique tenso as vezes, mas somos inteligentes e maduros o suficiente para entender e contornar nossas eventuais diferenças. Reconheço a grande pessoa que ele é, o quanto é talentoso, amigo fiel, e o quanto, assim como eu, quer ver a banda redondinha. Coloca a banda embaixo das suas asas e defende com unhas e dentes! Com certeza ainda criaremos coisas incríveis juntos.
FOX é o cara que toca com sentimento. Só ouvindo, ou só estando ao seu lado num ensaio ou show para perceber o quão tesão ele tem por tocar, e o quão verdadeiro soa tudo que ele toca, mesmo cabreiro, irritado por algum som não sair como deveria. Foi o cara que, através da indicação de um amigo em comum, me telefonou e me colocou nessa empreitada. Me identifiquei emocionalmente, e imediatamente, com esse cara. Logo nos nossos primeiros tímidos minutos de conversa no meu carro, a caminho do primeiro ensaio, tive certeza que estava diante de alguém que faria diferença em minha vida. E como eu tive razão! Uma pessoa fantástica, com um coração tão grande que quase não suporta carregar. Escreve coisas incríveis e profundas, das quais sou fã. Tenho a sensação que nos conhecemos durante a vida toda tamanha nossa sintonia e a facilidade de comunicação que temos. Sem palavras.
GEORGE foi o destaque da noite, e sem dúvida a grande revelação da banda. Chegou tímido e sorrateiramente com seu baixo nas mãos, e as poucos foi se mostrando, conquistando seu espaço. Seu baixo está cada vez mais imponente nos sons da banda. Dotado de uma grande capacidade de compreender e aprender rápido, é do tipo que gente que gosto, que capta as coisas rapidamente, eita garoto esperto da porra! Confesso que, vocalmente falando, eu o subestimei, mas ele tapou minha boca brutalmente com seu back fuderengo em It’s So Easy, e com certeza o fará muitas e muitas vezes em outros sons. Cheguei a perguntar para o Matt porque diabos não o chamou antes para a banda, já que são parentes, então soube que fazia parte de outra banda. Pena que não gosta de Guns N’ Roses, mas tudo bem, ninguém é perfeito, e baixistas têm por natureza serem punks, então ta certo. Atitude?! Sim, essa palavra o define perfeitamente.
ARM FAR e suas baquetas fluorescentes! Seria cedo demais para escrever sobre esse cara já que nos conhecemos a pouco mais de um mês? Talvez sim, ou talvez não. Já tocou metal e já tocou poprock, e ao trazer sua experiência nesses dois extremos da música acabou por acrescentar um nova sonoridade à banda, que me agradou bastante. Entrou para a banda um ano após seu inicio, mas nos encheu de esperança tirando quinze sons em um mês e nos dando o prazer de respirar fora do estúdio no último sábado. Incerto sobre a realização de um show tão precocemente após sua entrada na banda, foi até lá e fez o que não duvidávamos que ele faria!
É isso, matei a vontade de escrever!
[ao som de Dream Theater - "Hollow Years" e "Repentance"]
sexta-feira, 26 de dezembro de 2008
Em tempo
A distância criada pelos fatos lhe deu uma vantagem
E você se orgulha disso não é?
O que você queria? Uma medalha?
Era o mínimo que se esperava
Não veja como favor o que foi obrigação
Pelo carinho, amor, proteção
Não lamente as felicidades que não proporcionou
Lamentações póstumas soam como desculpas
E desculpas agora são dispensáveis
Se realizações nunca foi uma preocupação
Porque isso incomoda tanto agora?
Não se trata de competição
Você não me conhece, nunca conhecerá
Não sabe nada sobre mim, nunca saberá
Você só consegue enxergar sua realidade mesquinha
Seu mundinho particular
E sua equivocada definição de família
Desejo-lhe poder experimentar a sensação
De não ter proteção
De seguir seu caminho
De estar sozinho
Se a vida lhe deu a vantagem da presença
Ela me deu o benefício da ausência
Me deixou forte, auto-suficiente
Não me fez dependente
Minhas conquistas são só minhas
E da minha definição de família
Seu egoísmo prevaleceu
Sua luta será em vão
Permaneci negado e negando por anos
Afastado por interesses alheios
Enquanto você vivia sua vida perfeita
Com sua família perfeita
Agora o passado está presente
E cobrará a dívida
Boa Sorte.


